Ao longo dos anos, tive envolvimento com pessoas com deficiência e isso me tornou uma pessoa melhor no que diz respeito ao conhecimento das limitações e de como tratar  cada tipo de deficiência. Somos todos muito diferentes, tendo ou não uma deficiência física. Precisamos saber respeitar a todos aqueles que querem ingressar no mercado de trabalho, sendo eles PCDs ou não. Este relato é de um grande amigo que ingressou na empresa onde eu trabalhava na época, e é com muito orgulho que repasso a todos vocês! Pensem sempre que há muitos obstáculos no caminho, mas devemos ser perseverantes e não se deixar abater.

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“O meu nome é Djalma Cesar Rocha, sou Paulistano, e moro na  Zona Oeste de São Paulo, sou Asperger (Aspie), tenho Síndrome de Asperger, um Autismo Leve.

Desde pequeno, sempre fui muito tímido, mas mesmo assim consegui fazer vários amigos, algo muito raro entre os Aspergers, sempre gostei muito de futebol e com isso os outros garotos gostavam de conversar comigo. Hoje, percebo que o futebol foi a minha grande salvação em termos de convívio social. Apesar disso, não foi nada fácil, ficava horas trancado no quarto porque gostava de ficar sozinho. Quando comecei a ir a escola não tive problemas e inclusive fui alfabetizado muito rápido.

Na adolescência, foi um período mais conturbado por ser tímido e não saber expressar direito as minhas emoções, não conseguia namorar e isso me trazia muita frustração e sérios problemas com a minha auto-estima. Dentro de casa a minha educação era bem rígida, principalmente, a que vinha do meu Pai.

Com tudo isso a minha vida virou um “inferno” tenho certeza que passei uma boa parte da adolescência com depressão. O Colegial (hoje ensino médio) não foi legal para mim, porque as aulas não me interessavam, simples assim. Os Aspergers têm muito disso!kkk

Sempre gostei de Economia, porque gostava de ver na TV reportagens sobre o tema e assim resolvi prestar vestibular para Ciências Econômicas. Consegui, entrar na Faculdade de Economia e fiquei muito feliz! No começo foi muito difícil para mim porque terminei o ensino médio em uma escola pública e a adaptação foi extremamente difícil mas depois consegui acompanhar o curso. Não fui o melhor aluno da minha turma, mas acredito ter sido um bom aluno.

Eu estudava à noite e trabalhava de dia! Fui estagiário no Banco do Brasil e na Ford e foram cinco anos puxados mas hoje vejo que valeu muito à pena!

Depois de formado, comecei trabalhar em um empresa de Engenharia onde fiquei vários anos ao mesmo tempo cursava Mestrado em Economia da USP.

Durante, um tempo fiquei desempregado e tive a ideia de telefonar para a multinacional Produtos Roche Farmacêutica, que fica no bairro onde moro. Através do telefonema, conversei com a Julia Miranda que prontamente pediu que eu enviasse um CV por e-mail, depois disso,  passei por várias entrevistas e um mês depois estava contratado.

O primeiro dia de trabalho na Roche foi no dia 19 de Janeiro de 2011 e estou até hoje nesta empresa que gosto muito. Trabalhei, na área de Treinamento de Vendas, e agora estou na área de Aquisição de Talentos. Contínuo me aprimoramento, estudo inglês e no mês passado fui para Nova York estudar e passear e posso dizer que foi uma experiência incrível!

A minha singela mensagem é acredite nos seus sonhos e corra atrás para que possam ser realizados, não é fácil, mas é possível e muito gratificante quando são realizados!”

O portador da Sindrome de Asperger tem muita dificuldade de se relacionar e de olhar nos olhos, mas com o tempo de convívio o Djalma se tornou uma pessoa afável e participativa. Fico emocionada em lembrar que quando nos despedimos, na minha saída, ele me olhou nos olhos e agradeceu por estar ali, pela oportunidade que eu propiciei a ele. Na época cuidava do Programa de Inclusão e me fez conhecer várias pessoas batalhadoras assim como o Djalma. Gratidão é a palavra!

Se você, empresário estiver precisando desenvolver um programa de inclusão de PCDs, fale conosco. Temos todo um programa de capacitação tanto do PCD, quanto a sensibilização na sua empresa para acolhimento dos novos contratados.

A trajetória de um PCD
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